Fazer iniciação científica durante o curso de graduação é um desafio e deve ser levado a sério. Serão muitas horas de pesquisas, leituras, experimentações, relatórios, conversas com o orientador e mais pesquisa.

Entretanto, se você se dedicar, não só sentirá a satisfação de um trabalho bem feito, mas também terá o reconhecimento perante o mercado de trabalho e a chamada “academia”, formada pelos pesquisadores da área.

E se você for além e conseguir publicar um artigo sobre a sua pesquisa? Aí esse reconhecimento atinge outros níveis!

Foi o que aconteceu com a aluna Lívia Fiorotto, de Engenharia Química da Mauá, que teve o seu artigo sobre a utilização das fibras da casca do coco verde, para a remoção da cor das águas de rejeito, publicado na revista internacional Journal of Encapsulation and Adsorption  Sciences, (Vol.4n.º 2 2014). 

Conversamos com a Lívia para entender a importância da pesquisa e da publicação para a sua carreira profissional. Confira:

Blog da Mauá – O que o trabalho de Iniciação Científica trouxe como aprendizado?

Lívia Fiorotto – A iniciação científica é um processo por meio do qual são desenvolvidas diferentes competências esperadas de um estudante de Engenharia. Dentre elas a disciplina, o raciocínio lógico e atuação pró-ativa para o desenvolvimento de projetos.

Blog da Mauá – Houve parceria com Professor e corpo técnico da Mauá no desenvolvimento prático? Como foi essa parceria?

Lívia Fiorotto – Sim,  houve uma parceria constante. No meu caso, pude trabalhar no bloco I, recebendo supervisão e auxílio da técnica Inês Santana, que me deu suporte em todas as etapas do projeto, desde o treinamento inicial até a discussão de rotas para a realização de próximas etapas do projeto  e a discussão de resultados. É importante destacar a importância do corpo técnico presente no dia a dia da atividade laboratorial;  afinal,  são esses os profissionais que nos acompanham diariamente nas atividades laboratoriais.

Com o professor orientador, também houve intensa parceria, principalmente nos momentos de análises de resultados, preparo de relatórios, avaliação de novas possibilidades no desenvolvimento do projeto.

Blog da Mauá – Sobre o curso de Engenharia Química que está cursando: você aplicou os conhecimentos adquiridos no curso na iniciação científica, e vice-versa?

Lívia Fiorotto – Com certeza. Tive o privilégio de começar a iniciação científica na 2.ª série da graduação, pois a Prof.ª Patricia depositou muita confiança em mim, já que nessa fase da graduação ainda não temos muitos conhecimentos específicos da área. Aprendi, na 2.ª série, matérias como química analítica, que eu só viria a ter na 3.ª série. Essa experiência foi sensacional porque conseguia entender com muita clareza os conhecimentos passados nas aulas, em parte porque os vivenciava numa atividade extracurricular. Posteriormente aplicamos modelos de cinética e isotermas, os quais propõem avaliação de ajuste de dados experimentais a modelos de literatura que descrevam dado fenômeno estudado; essa pauta é extremamente útil na vida de um engenheiro e altamente abordada na graduação em matérias como cálculo de reatores, modelagem e engenharia bioquímica.

Blog da Mauá – Esse trabalho contribui para sua vida profissional? De que forma?

Lívia Fiorotto – Durante a iniciação, desenvolvemos competências bastante valorizadas num engenheiro e o mercado enxerga isso. Atuamos fortemente desenvolvendo análises de resultados, elaborando relatórios, preparando reuniões e apresentações e em todas essas tarefas do mundo corporativo ficam evidentes as habilidades conquistadas ou aperfeiçoadas durante o processo. Atualmente faço estágio na Rhodia Solvay EP Brasil, na área de pesquisa e tecnologia, e meus próprios chefes já disseram que um estagiário, por estar no começo da carreira e não ter experiência, destaca-se para áreas como aquela em que estou,  justamente por ter uma boa graduação (o Instituto Mauá de Tecnologia é muito bem visto) e por ter-se envolvido em atividades como iniciação científica. No meu caso, ainda houve o adendo do artigo publicado que, sem dúvida, é um aspecto muito positivo na minha carreira.

Blog da Mauá – Como foi o desenvolvimento do seu trabalho de Iniciação Científica?

Lívia Fiorotto – Tudo começa com um contato com o professor. A Prof.ª Patricia foi bastante acessível e apresentou-me a linha de trabalho dela para eu ter uma ideia inicial, para ver se eu tinha afinidade com o assunto. Posteriormente, ela me mostrou alguns trabalhos que ela havia desenvolvido para eu me familiarizar com o assunto e ganhar base para escrevermos o artigo e concorrer à bolsa concedida pela Mauá, para alunos que fazem essas pesquisas e têm seus projetos aprovados. Iniciamos, depois,  a parte experimental e nesse momento a professora   apresentou-me à Inês que viria a participar de meu treinamento e do desenvolvimento das minhas atividades. Reunia-me semanalmente com a Prof.ª Patricia para discutirmos resultados e avaliar próximas etapas. Com  uma quantidade substancial de resultados,  começamos a nos preparar para congressos, entre eles o CONIC, o Simpósio de Pesquisa do ABC e, por fim,  o Congresso Internacional de Química Verde. Outro ponto a ser destacado foi que trabalhamos juntas dois anos, um deles pela Mauá e outro pela FAPESP.

Blog da Mauá – Como você conseguiu essa publicação internacional?

Lívia Fiorotto – Confesso que a publicação internacional deve-se  muito  a  o orientador incentivar o aluno. A Professora Patricia orientou-me nessa etapa. A publicação internacional é realmente muito difícil e exige muita dedicação, porque as revistas têm estilos próprios e cabe aos autores adequarem sua escrita e a forma de apresentar o que foi desenvolvido ao modelo que a revista demanda.

É um trabalho muito extenso que envolve uma equipe grande e experiente. São várias revisões e modificações até chegarmos ao estado final.

Blog da Mauá – O que significa para você essa publicação/reconhecimento?

Lívia Fiorotto – É algo um tanto surreal  observar de onde você começou e ver seu nome numa revista internacional de que você sempre se valeu para fazer suas pesquisas. Chega a ser emocionante pensar que seu trabalho vai-se tornar uma referência para outras pessoas que venham a desenvolver uma pesquisa na mesma linha da sua.

Sendo completamente honesta, fazer engenharia não é a tarefa mais fácil do mundo;  o curso em si já exige muito do aluno: são provas e trabalhos; nesse momento, é extremamente importante ter um orientador que priorize a graduação e não a pesquisa. A Prof.ª Patricia dá total liberdade e incentiva os alunos a não fazerem iniciação na época das provas e isso faz muita diferença! No final da 3.ª série, além de graduação e iniciação, comecei a procurar estágio, ou seja, comecei uma etapa na qual se inseriu uma rotina cheia de testes on-line, dinâmicas de grupo e entrevistas. Foi bem complicada essa época, mas, hoje, vendo meu resultado profissional, o artigo internacional publicado e toda a experiência adquirida, sinto-me mais forte e preparada para o que vem pela frente. Essa publicação é o reconhecimento de todo um trabalho desenvolvido, pelo apoio de familiares, amigos, equipe envolvida no projeto; diria que é a forma perfeita de terminar a faculdade, porque, de certa forma, esse artigo representa um pouco dos 5 anos de dedicação.

Blog da Mauá – Dê a sua opinião sobre a Mauá, curso Engenharia Química.

Lívia Fiorotto – Tenho muito orgulho de se formar por essa instituição. Vejo claramente o reconhecimento e o nome que levamos conosco. O curso é forte e prepara-nos para lidar com a pressão, além de sermos submetidos a situações muito próximas da realidade industrial. Aprendemos não somente o básico, aqui;  vamos além do que a engenharia química de muitas instituições.

Saiba mais sobre o Programa de Iniciação Científica da Mauá 

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