Imagine estudar em um país que possui três línguas oficiais? Lucas Vidal, aluno da 4.ª série de Engenharia Mecânica da Mauá foi e voltou cheio de histórias para contar, além de um currículo “turbinado”.

Quem consegue realizar um intercâmbio por meio do programa Ciência sem Fronteiras enfrenta desafios como ter que “se virar” sozinho em um país que não conhece, com pessoas de cultura completamente diferente e tendo que estudar em uma língua estrangeira.

Contudo, nada é obstáculo para quem quer ter diferentes experiências de vida e adquirir novos conhecimentos!

Lucas Vidal foi para a Bélgica em 2012 e voltou para o Brasil em 2013. Não se arrepende de ter embarcado e afirma “a sensação é uma mistura de ansiedade, medo e felicidade”!

Confira a entrevista que fizemos com ele e comece a pensar em seus sonhos!

Blog da Mauá – Por que escolheu Engenharia Mecânica?

Lucas Vidal – Sempre gostei de carros e queria trabalhar na área. Quando fui prestar vestibular estava em dúvida entre Design e Engenharia Mecânica, mas acabei escolhendo o segundo por acreditar que o mercado de trabalho nessa área seja mais amplo.

Blog da Mauá – Quando surgiu a vontade de fazer um intercâmbio? Por que escolheu como destino a Bélgica?

Lucas Vidal – Eu fiz intercâmbio quando estava no 3.º ano do Ensino Médio, quando fui para a França, depois disso fiquei com vontade de voltar para a Europa. Quando apareceu o Ciência sem Fronteiras vi que poderia ser uma oportunidade para fazer outro intercâmbio.

Quanto ao destino, na verdade havia escolhido a França, mas a minha situação não era a que o edital pedia na época e a minha candidatura foi anulada. Em seguida, apareceu o edital para a Bélgica e eu me encaixava no perfil do edital, fiz o processo novamente e consegui a aprovação.

Université Catholique de Louvain

Blog da Mauá – Quando você embarcou, qual foi a sensação de estar indo para uma experiência nova de intercâmbio?

Lucas Vidal – Embarquei em 04 de setembro de 2012. A sensação é muito engraçada, porque só depois que entra no avião é que você realmente se dá conta que somente depois de um ano é que vai voltar! Fora que quando você vai para um país que não conhece, que era o meu caso, sem conhecer ninguém, dá um pouco de medo. A sensação é uma mistura de ansiedade, medo e felicidade.

Blog da Mauá – Ao chegar na Bélgica, qual foi a sua primeira impressão? Lá é muito diferente do Brasil?

Lucas Vidal – O que mais me chamou a atenção foi o país ter três línguas oficiais: alemão, francês e holandês. Quando você vai para uma região que fala holandês, por exemplo, apesar de francês e alemão serem as línguas oficiais, não existem placas em francês nem em alemão e a população nem sempre fala as três línguas. Têm lugares em que parece que se está em outro país.

A Bélgica é um local de clima mais frio, com as temperaturas, geralmente, entre 10° C e até -10° C, apesar de no verão chegar a 30° C. Não sei se é por isso, mas a maioria das pessoas não é tão carinhosa quanto no Brasil, não há o tal do “calor humano latino”. Apesar disso, os belgas são um povo aberto e muito receptivo!

Blog da Mauá – Durante o período em que esteve na Bélgica, onde você ficou hospedado?

Lucas Vidal – Eu fiz intercâmbio na Université Catholique de Louvain (UCL) no campus de Louvain-la-Neuve. Fiquei cinco dias em uma pensão e depois consegui um quarto no alojamento da universidade. Éramos em oito estudantes no apartamento, cada um com o seu quarto.

Blog da Mauá – Como era o seu dia a dia como universitário da Bélgica?

Lucas Vidal – As aulas ocorriam em diversos horários, de 08h30 até 18h30, algumas vezes estendendo-se até as 20h. Então, nos dias mais cheios, geralmente acordava umas sete e meia, tomava banho e café e ia para a aula, depois voltava para casa, almoçava, e depois voltava para aula da tarde. De noite ficava no apartamento, pois tínhamos o costume de jantar todos juntos.

Blog da Mauá – Do que mais você sentiu falta do Brasil? E quando voltou, do que mais sentiu falta da Bélgica?

Lucas Vidal – Senti falta de bastante coisa, até de algumas que nem sabia que gostava tanto, como maracujá, feijão e outras comidas. Senti falta da minha família em alguns momentos e dos meus amigos também, apesar de ter recebido a visita de alguns amigos e isso amenizou um pouco a saudade.

Eu sinto falta da forma como levava a vida lá. Morava em uma cidade universitária, bem aberta aos estrangeiros, cheia de atividades culturais promovidas para as pessoas da minha faixa etária. Tinha muita coisa legal! A cidade é feita para os pedestres, então as ruas do centro e dos bairros principais eram fechadas para os carros, que só circulavam quando era realmente necessário. Eu fazia tudo a pé, ia para aula, supermercado, shopping, bares e baladas e visitar os amigos. Não precisava pegar ônibus, nem trem. Bem menos estressante do que a vida aqui. Em relação à comida, sinto falta das batatas fritas, dos waffles, cervejas e dos kebabs.

Blog da Mauá – Como é a universidade em que estudou? O ensino em Engenharia é diferente com relação ao da Mauá?

Lucas Vidal – A universidade é bem grande, com vários cursos e o campus é espalhado pela cidade. Em alguns bairros há determinados prédios da universidade junto a prédios residenciais ou comerciais. Para quem chegava sem nenhuma informação isso era um pouco estranho, mas depois que se acostuma fica tranquilo.

Em relação ao ensino, a parte técnica não era muito diferente, às vezes algum conceito, mas nada fora do normal. O que achei diferente era a abordagem dos professores, pois muitos deles, especialmente os que lecionavam nas disciplinas da 4.ª e 5.ª séries, faziam parte da indústria e mantinham algum projeto pessoal ou com a instituição e faziam questão de expor isso aos alunos.

Blog da Mauá – Em relação à sua área de Engenharia Mecânica, quais foram os conhecimentos adquiridos durante o intercâmbio? Quais eram as disciplinas que cursou?

Lucas Vidal – Com relação a Engenharia Mecânica, cursei algumas disciplinas relevantes, como “Cálculo de Estruturas Planas”, “Soldagem”, “Fabricação Mecânica e Dinâmica de veículos”. Aprendi algumas coisas interessantes em soldagem e dinâmica de veículos. As outras matérias eram mais ou menos parecidas com as que eu tive antes ou depois, na Mauá.

Blog da Mauá – De forma geral, a experiência que você teve valeu a pena? Como você acha que essa experiência pode influenciar na sua futura carreira profissional?

Lucas Vidal – Valeu muito a pena! Se aparecesse outra oportunidade eu iria sem pensar. Algumas pessoas me perguntam se não é ruim fazer um intercâmbio, porque geralmente você acaba não conseguindo equivalência das matérias e fica um ano pra trás. Eu não conheço ninguém que fez um intercâmbio e achou a experiência ruim ou sentiu que estava perdendo um ano, pelo contrário, sempre me falam que foi um ano muito bom e que fariam de novo. Eu também sinto isso, de jeito nenhum perdi um ano!

Essa experiência pode influenciar de várias formas na minha carreira, primeiro que ninguém faz um intercâmbio e volta com a mesma cabeça, geralmente a gente vem com ideias bem diferentes e a mente mais aberta, com um jogo de cintura mais refinado e isso pode ajudar na vida profissional. E de uma forma mais direta, em alguns programas de trainee, as empresas pedem no mínimo 4 meses de experiência no exterior. Só aí, quem já fez um intercâmbio sai na vantagem.

Blog da Mauá – Você indica o Ciência sem Fronteiras para os outros alunos da Mauá?

Lucas Vidal – Indicaria sem dúvida. Mesmo que já tenham viajado para fora do país, morar em outro país e viver a cultura dele é uma experiência diferente, mais enriquecedora do que simplesmente passar 4 ou 5 dias em um lugar. E para os que não tem condições de se bancar lá fora, o programa fornece uma boa bolsa. Sabendo economizar e gastar com as coisas certas a gente não passa nenhum sufoco.

Université Catholique de Louvain

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