No dia 11 de dezembro aconteceu a cerimônia de entrega do 15º Prêmio ABRAFATI de Ciência em Tintas, premiando as Engenheiras Químicas Camila da Mata, Daniele de Figueiredo e Natália Santana – formadas pela Mauá em 2012 – com o segundo lugar, pelo trabalho “Estudo da viabilidade da utilização de extrato alcoólico de Neem (Azadirachta Indica) como agente antifúngico em tinta decorativa base água”.

Esse prêmio é promovido anualmente pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), sendo o mais tradicional da área, com o objetivo de estimular a pesquisa científica relacionada ao tema.

O Prêmio ABRAFATI de Ciência em Tintas já conta com 14 edições, sempre premiando os trabalhos do mais alto nível, contribuindo para a integração entre universidade e indústria.

A pesquisa das ex-alunas foi feita sob orientação do Prof.º Dr. Leo Kunigk, Coordenador de Pós-Graduação Stricto Sensu do Instituto Mauá de Tecnologia. Conversamos com o grupo sobre a pesquisa, o prêmio e os aprendizados. Confira:

Vocês podem explicar para os leitores sobre o que é exatamente a pesquisa vencedora?

O trabalho trata da substituição de um componente tóxico, o fungicida, presente nas tintas à base de água, por um componente natural derivado da planta indiana Neem. Esse componente é uma espécie de antifungo que conserva a tinta para evitar o crescimento de microrganismos. O objetivo do trabalho foi desenvolver um produto menos agressivo ao meio ambiente, portanto o estudo foi dividido em duas etapas, inicialmente verificamos a eficiência do extrato alcoólico de Neem na inibição do crescimento de Aspergillus niger, principal microrganismo que se desenvolve na superfície da tinta, e, em seguida, estudamos a aplicabilidade deste extrato como agente antifúngico em tintas decorativas à base de água.

Como surgiu a ideia de iniciar essa pesquisa?

A ideia do projeto surgiu no início de 2012 quando procuramos o Prof.º Dr..Léo Kunigk para saber se ele tinha disponibilidade para nos orientar e para conversar sobre possíveis opções e linhas de pesquisa para nosso trabalho de graduação. Depois de aceitar ser o nosso orientador, ele comentou que no ano anterior havia desenvolvido um trabalho utilizando a planta indiana, tradicionalmente conhecida como Neem, em alimentos. Como já conhecíamos o poder antifúngico do Neem e éramos do curso de Engenharia Química, dentre as opções de aplicação, resolvemos testar sua aplicação em tinta decorativa à base de água e então, começamos a trabalhar neste desafio.

Quanto tempo durou o processo de pesquisa e conclusão deste trabalho?

Nossa pesquisa durou menos de um ano, pois quando finalmente definimos o tema, o ano letivo já tinha começado. Inclusive, naquela época, nos desesperamos um pouco, porque muitos colegas de classe já estavam com suas pesquisas bastante avançadas.

E depois de muito trabalho, como foi ganhar este prêmio?

Foi surpreendente e muito gratificante. Um momento de muita alegria, pois ele representa todo o empenho e dedicação nesses anos de Mauá, pois sem o conhecimento adquirido ao longo desses anos não seríamos capazes de realizar esse trabalho. Podemos dizer também que o prêmio é um símbolo de superação, uma vez que passamos por diversas dificuldades ao longo do curso, o que torna o prêmio ainda mais gratificante! O prêmio certamente é o reconhecimento de um grande trabalho em equipe.

Para a carreira de vocês, o que significa essa conquista?

Todo reconhecimento por um trabalho realizado é válido e muito bem vindo! Acreditamos que essa conquista representa um grande reconhecimento por parte dos estudiosos do setor de pesquisa, desenvolvimento e de tintas.

Também não temos certeza do que pode vir ao adicionarmos essa conquista em nossos currículos, mas acreditamos que, no mínimo, nos destacaremos por este diferencial. Talvez isso abra portas para novas oportunidades, para caminhos na nossa carreira que não esperávamos e estamos abertas a novas experiências sempre!

Nenhuma de nós imaginou seguir carreira na área de pesquisa, mas nunca se sabe!

Vocês já trabalham na área?

Sim, a Camila e a Daniele trabalham na empresa AkzoNobel Ltda. A Camila como Engenheira de Processos na Planta de Especialidades e Complementos e a Daniele como Engenheira Ambiental no setor de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente. A Natalia trabalha na empresa Colgate-Palmolive Industrial Ltda. no setor de embalagens.

Valeu a pena toda a dedicação de vocês para o trabalho ficar pronto?

Valeu muito! Diferentemente da maioria dos grupos de TCC, nós não tivemos momentos de tensão entre os integrantes. Claro que nem sempre você concorda com o seu colega, mas nós nos demos muito bem e acredito que isso tenha facilitado todas as conquistas! E, sem dúvida cada momento de desespero próximo às entregas parcial ou final do trabalho, cada frio na barriga para as apresentações e para a Eureka, cada momento de medo de alguma coisa dar errado, de atrasar… tudo, tudo valeu a pena no momento em que fomos aprovadas com nota 10 na banca. E a nossa certeza de que valeu a pena aumentou durante a colação de grau e triplicou com a notícia da premiação!

Qual a dica que vocês dão para quem está iniciando os estudos em Engenharia Química na Mauá?

Que se dedique e tente absorver ao máximo todo o conhecimento que lhe for passado ao longo do curso, pois hoje somos consequência de todo esse aprendizado. E fique sempre atento nas Associações e Instituições ligadas ao setor de química para apresentar e realizar trabalhos como o nosso.

Além do mais importante: nunca desistir, por pior que seja a dificuldade de aprender. Pode parecer clichê, mas como já citamos aqui, a superação e a dedicação vale muito a pena! Dedique-se que você não se arrependerá!

1 comentário para “Ex-alunas da Mauá ganham prêmio da ABRAFATI”

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Elisabete Silva

11 de abril de 2015 ás 16:15

Parabéns pelo trabalho e prémio.
Não deve ser fácil uma vez que quando se fala em contaminação microbiana o que mais aparece é na área alimentar sendo muito díficil encontrar trabalhos na área de microbiologia em tintas.
Não sei se me podem ajudar pois gostaria de saber quais os microorganismos mais frequentes em tintas de base aquosa.

Obrigada.

Elisabete Silva

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